Mãe de menino autista denuncia ofensas de mulher em banco: 'amarra esse doente'

by - março 15, 2018






Uma dona de casa denunciou em uma publicação nas redes sociais que ela e o filho autista de 4 anos sofreram ofensas dentro de uma agência bancária do Bradesco, em São Carlos (SP), na manhã de segunda-feira (12). Ela registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
As agressões verbais foram feitas por uma mulher, ainda não identificada, que se irritou ao ver Maísa Machado, que estava com o filho, pegando uma senha prioritária para ser atendida. A mãe ainda acusa o banco de ser omisso na situação, já que não conseguiu o nome da cliente para registrar o boletim de ocorrência.

A assessoria de imprensa do Bradesco foi procurada pelo G1 e informou que o banco não comentaria o assunto.

'Amarra esse doente'

A dona de casa contou que, assim que eu chegou na agência, na Rua Jesuíno de Arruda, foi questionada por uma atendente ao pedir uma senha prioritária. Ela explicou sobre a deficiência do filho e que teria direito com base na lei federal 13.146/15. Ela e a criança haviam acabado de sair de uma sessão de terapia e o menino estava cansado.
“Mesmo assim ela se negou a me dar. Procurei outra atendente que me ajudou e me deu a senha, após eu solicitar a presença do gerente”. No momento em que ela recebeu a senha, a mulher chegou e reclamou do fato dela ter prioridade.
“Expliquei para ela que eu tinha direito de usar o atendimento preferencial porque meu filho é autista, mostrei o laudo dele. Ela começou a gritar: ‘se não sabe se comportar, amarra esse doente. Se seu filho é doentinho o problema é seu’”, contou Maísa.
“Ela viu que eu tinha recebido a senha prioritária e começou a falar em voz alta que eu e meu filho passamos na frente, que era um absurdo. Como o autismo é uma deficiência não visível, aparente, eu expliquei, porque não tinha como ela adivinhar. Eu mostrei o laudo para ela, que estava na bolsa”, disse.
De acordo com Maísa, a mulher se negou a ver o laudo e continou com as ofensas. “Meu filho começou a chorar e ela falou: ‘vai doentinho, sai daqui’”.

Polícia Militar foi chamada

Após as agressões, chegou a vez de Maísa ser atendida. Ela se dirigiu ao caixa e realizou um saque. Em seguida a senha da agressora foi chamada no caixa ao lado e as ofensas continuaram. “Ela voltou a gritar, falar as mesmas coisas, começou a dizer que meu filho era mongolóide”.
"O que mais me marcou foi ver meu filho querendo colocar a mão na boca da agressora para ela parar de gritar e xingar ele", disse.
Dona de casa Maísa Machado foi vítima de agressão verbal junto com o filho autista dentro de agência bancária em São Carlos (Foto: Reprodução/EPTV)Dona de casa Maísa Machado foi vítima de agressão verbal junto com o filho autista dentro de agência bancária em São Carlos (Foto: Reprodução/EPTV)
Segundo o boletim de ocorrência, a mulher ainda teria agredido verbalmente Maísa, chamando-a de "vagabunda" e dizendo que "iria lhe dar um soco na cara", chegando a levantar a mão fechada.
Os funcionários da agência perceberam a movimentação. “Nesse momento entraram dois guardas ficaram entre nós, porque ela começou a se exaltar e dar indícios de que iria me agredir. Eu liguei para a Polícia Militar e pedi aos seguranças para não deixá-la ir embora, para poder registrar a ocorrência”.
Mas a agressora foi embora alegando que iria buscar um documento no carro. Logo depois as viaturas da PM chegaram ao local, mas não havia o que ser feito ali e ela registrou boletim de ocorrência da DDM.

Omissão

Maísa acredita que houve omissão por parte da agência bancária. “Teve uma funcionária que viu tudo, perguntei se ela poderia ser testemunha e ela disse que por ela sim, mas como funcionária do banco teria que consultar o jurídico”, relatou. “Liguei na ouvidoria do Bradesco na terça de manhã, e recebi uma ligação do gerente da agência me questionando o motivo de ter acionado a ouvidoria”, explicou.
Ela disse que pediu as imagens das câmeras ao gerente para registrar a ocorrência, que afirmou que só poderia ceder sob ordem judicial.
“O que me deixou chocada foi o gerente do banco me dizer que meu filho não entendeu nada, só porque ele não fala”, disse.
Segundo Maísa, a DDM solicitou a identificação da cliente ao banco e ela aguarda os dados para poder entrar com um processo na Justiça contra a agressora.

Bradesco

Questionada sobre o ocorrido, a assessoria de imprensa do Banco Bradesco disse em nota que a agência "está de acordo as normas da legislação vigente, com estrutura adequada ao atendimento preferencial". Ainda afirmou que "em relação ao ocorrido não comenta o assunto".

Lei municipal

Em 2016, foi sancionada em São Carlos a lei 17.814 que obriga que estabelecimentos públicos e privados incluam em placas de atendimento prioritário o símbolo mundial do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
De acordo com Maísa, na placa da agência não havia o símbolo, o que segundo ela, poderia evitar transtornos, já que não foi a primeira vez que foi questionada em uma agência bancária.
"Já aconteceu outro episódio em um banco da Avenida Sallum, mas a mulher que havia me questionado ficou quieta após eu mostrar o laudo do meu filho", disse a dona de casa.


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1 Comments

  1. Eu acho um absurdo isso das pessoas quererem descriminar ou menosprezar os outros por causa das Diferenças Na minha opinião animal é esse ser humano que não têm um mínimo de conhecimento que em vez de ser um ser racional agi totalmente e ao contrário . Absurda isso

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