Autista, o meu filho? - Autismo entre mães

21 de novembro de 2017

Autista, o meu filho?




O diagnóstico de autismo não é simples. Isso porque não há um exame específico que confirme o transtorno. O diagnóstico é essencialmente clínico. Leva em conta o comprometimento e o histórico do paciente. Norteia-se pelos critérios estabelecidos pelo DSM-V (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS). Quanto antes o autista começar as intervenções, melhor o prognóstico.
A confirmação da desconfiança também é cercada de tensão. A pergunta é sempre a mesma: por que meu filho desenvolveu autismo, doutor? Estabelecer com precisão as causas do autismo ainda é um desafio para a medicina. Os estudos iniciais valorizavam a hipótese de que o transtorno era causado por fatores psicológicos provocados pelos pais - quando apresentavam comportamento frio e obsessivo com os seus filhos.
Pesquisas recentes sugerem existência de múltiplas causas, entre elas, genéticas/ biológicas e ambientais. Nesse sentido, os cuidados durante a gravidez são extremamente importantes. Os fatores ambientais envolvem o uso de antidepressivos durante a gestação, tabagismo, obesidade, diabetes, pressão alta e até poluição do ar.
De acordo com a Organização das Nações Unidas - ONU, o autismo atinge 70 milhões de pessoas em todo o mundo. Por ser um distúrbio com diferentes níveis de comprometimento, recebe o nome de "espectro autista". Os sinais do transtorno podem variar, mas há características que são bem comuns:


1. PROBLEMAS DE INTERAÇÃO SOCIAL OU EMOCIONAL ALTERNATIVO - dificuldade de estabelecer ou manter conversas; problemas com a atenção compartilhada ou partilha de emoções;
2. GRAVES PROBLEMAS PARA MANTER RELAÇÕES - falta de interesse em outras pessoas; as dificuldades de jogar/ fingir e se engajar em atividades sociais; problemas de adaptação a diferentes expectativas sociais;
3. PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO NÃO-VERBAL - a criança não olha nos olhos de outra pessoa; apresenta expressões faciais e corporais anormais; incapacidade de entender sinais não verbais de outras pessoas.
4. DIFICULDADE NO DOMÍNIO DA LINGUAGEM - para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos;
Além disso, o portador de autismo deve apresentar pelo menos dois dos seguintes comportamentos:
1- Apego extremo a rotinas e padrões e resistência a mudanças;
2- Fala ou movimentos repetitivos;
3- Interesses intensos e restritivos;
4- Evita comportamentos de estímulos sensoriais
O autismo "se instala" nos três primeiros anos de vida, quando os neurônios que coordenam a comunicação e os relacionamentos sociais deixam de formar as conexões necessárias. Alguns indicativos desde bebê podem servir como alerta, como a forma com que a criança fica parada no berço, sem reagir a estímulos e evitar o contato visual.
Ainda não há um medicamento específico para o autismo, mas há tratamentos que auxiliam em vários aspectos. Não há uma regra para todas as crianças. É essencial respeitar a individualidade delas. A estimulação pode ser feita com brincadeiras e jogos, contação de histórias e conversa. As terapias ocupacional e comportamental também são relevantes no tratamento, para que o cérebro passe a perceber melhor os estímulos sensoriais.
*Artigo assinado por Leonardo Maranhão, psiquiatra e diretor da Clínica Médica Assis.
Website: http://www.clinicamedicaassis.com.br/

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